Porto Velho é a capital e o maior município, tanto em extensão territorial quanto em população, do Estado de Rondônia. Com uma área de 34.068,50 km², o município é maior que os estados de Sergipe e Alagoas. Contudo, sua população é de 369.345 habitantes[1], sendo a terceira maior capital da região Norte (superada apenas pelas cidades de Manaus e Belém). Localiza-se à margem direita do rio Madeira (afluente do Rio Amazonas).
Palácio Getúlio Vargas, sede do Governo de Rondônia.
Oficializada em 2 de outubro de 1914, Porto Velho foi criada por desbravadores por volta de 1907, durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Em plena Floresta Amazônica, e inserida na maior bacia hidrográfica do mundo, onde os rios ainda governam a vida dos homens, é a capital do estado de Rondônia. Fica nas barrancas da margem direita do rio Madeira, o maior afluente da margem direita do rio Amazonas.
Desde meados do século XIX, nos primeiros movimentos para construir uma ferrovia que possibilitasse superar o trecho encachoeirado do rio Madeira (cerca de 380 km) e dar vazão à borracha produzida na Bolívia e na região de Guajará-Mirim, a localidade escolhida para construção do porto onde o caucho seria transbordado para os navios seguindo então para a Europa e os Estados Unidos da América, foi Santo Antônio do Madeira, província de Mato Grosso.
As dificuldades de construção e operação de um porto fluvial, em frente aos rochedos da cachoeira de Santo Antônio, fizeram com que construtores e armadores utilizassem o pequeno porto amazônico localizado 7 km abaixo, em local muito mais favorável.
Crescimento demográfico
Em 15 de janeiro de 1873, o Imperador Dom Pedro II assinou o Decreto-Lei nº 5.024, autorizando navios mercantes de todas as nações subirem o rio Madeira. Em decorrência, foram construídas modernas facilidades de atracação em Santo Antônio, que passou a ser denominado Porto Novo.
O porto velho dos militares continuou a ser usado por sua maior segurança, apesar das dificuldades operacionais e da distância até Santo Antônio, ponto inicial da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Percival Farquhar, proprietário da empresa que afinal conseguiu concluir a ferrovia em 1912, desde 1907 usava o velho porto para descarregar materiais para a obra e, quando decidiu que o ponto inicial da ferrovia seria aquele (já na província do Amazonas), tornou-se o verdadeiro fundador da cidade que, quando foi afinal oficializada pela Assembléia do Amazonas, recebeu o nome Porto Velho. Hoje, a capital de Rondônia.
A cidade nasceu e cresceu das instalações ferroviárias da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, através da exploração de borracha e posteriormente de cassiterita e de ouro. Moravam cerca de mil pessoas quando a obra da construção da Estrada de Ferro se concluiu, geralmente seus residentes eram funcionários da empresa construtora.
Por ser uma capital de estado relativamente nova (1981), a cidade possui muitos funcionários públicos tanto federais quanto estaduais. Como há pouca qualificação, grande parte da mão-de-obra especializada vem de outros estados.
Câmara de vereadores
A Câmara Municipal de Porto Velho fica no bairro Embratel, distante do Centro da cidade. O atual presidente é o vereador José Hermínio Coelho, do PT, para o período de 1º de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008.
A cultura porto-velhense é pequena em relação a dos grandes centros do Brasil. Entretanto, a cidade possui um centro cultural (a Casa de Cultura Ivan Marrocos, onde há exposições diversas), três salas de cinema, um teatro, uma biblioteca municipal, dezenas de praças (sendo as mais famosas a Praça das Três Caixas D'Água e a Praça Aluízio Ferreira), museus (Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré), shoppings (em construção) e galerias.
Como em outras cidades da Região Norte do Brasil, fazam-se presentes festas folclóricas. Há na cidade também uma grande exposição anual de agropecuária, denominada EXPOVEL, e outra chamada Flor do Maracujá, com apresentações de danças folclóricas, como o boi-bumbá e a quadrilha. Também grande parte da população se diverte em bares e Casas de Shows.
Educação
A sede da UNIR fica no prédio do antigo Porto Velho Hotel. Seu campus está situado na BR-364.
Ensino básico, fundamental e médio
Ensino superior
Porto Velho conta com uma universidade federal — UNIR — e algumas universidades particulares como UNIRON, FIP, FATEC, FARO, FIMCA, ULBRA, Faculdade São Lucas, Universidade Católica de Rondônia e a UNOPAR VIRTUAL - http://www.unoparvirtual.com.br
Há três cursos de Medicina, na UNIR, FIMCA e São Lucas, o que tem atraído muitos estudantes da região à cidade. A unir e uma das facudades mais procuradas em Porto Velho.
Em matéria de EaD, a UNOPAR/UNIMAX é a maior faculdade do município, dispondo de 12 cursos superiores, com destaque para os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Serviço Social, Gestão Ambiental, Marketing e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
Segurança pública
Forças Armadas
A cidade conta com os quartéis do 5º BEC, 17ª Brigada de Infantaria de Selva, 31ª Circunscrição do Serviço Militar, 17º Base Logística, 3ºCia do 54º BIS e ainda o Hospital de Guarnição. Além disso possui a base aérea conhecida como BAPV (Base Aérea de Porto Velho) que foi modernizada para o projeto SIVAM de vigilância da Amazônia.
Transporte
Porto do Cai n'Água.
Taxis enfileirados em uma tarde movimentada na Rodoviária de Porto Velho.
O principal meio de transporte para se chegar a Porto Velho (tirando o estado do Amazonas) é o rodoviário. Para o estado do Amazonas, devido ao estado precário da BR-319, o melhor meio de transporte é o aéreo ou o aquático. A cidade conta com um aeroporto internacional.
No Porto do Cai n'Água, há embarcações que fazem o trajeto até Humaitá, Manicoré e Manaus, ambos municípios do Amazonas. O serviço de navegação do Madeira e do governo do estado, é mantido para atender a população ribeirinha, como São Carlos, Calama e outras pequenas localidades.
Rodovias
A Rodoviária fica na Avenida Governador Jorge Teixeira que, na verdade, é a BR-319.
Porto Velho é cortada por duas rodovias federais, a BR-319 e a principal delas, a BR-364, que é a única rodovia federal que corta o estado de Rondônia sentido norte-sul, passando pelas principais cidades rondonienses.
Ferrovia
Nos finais de semana eram realizadas viagens de trem à antiga Primeira Estação, na Cachoeira de Teotônio. Atualmente, devido ao abandono, a linha foi desativada.
Turismo
Cachoeira do Teotônio, marcada por uma grande presença de pedras.
Porto Velho tem um imenso potencial turístico devido à sua história e às suas riquezas naturais. No final da década de 1990, foi pensada a revitalização da margem do rio Madeira, mas o projeto não foi levado à frente, já que envolve a remoção de dezenas de famílias do bairro Triângulo e um grande investimento. As atrações históricas são a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, o Cemitério da Candelária, a sede da Arquidiocese, o terminal ferroviário, a locomotiva Coronel Church, (a primeira máquina vinda para a Amazônia em 1872) as Caixas D'Água (símbolo da cidade, edificada pelos ingleses), a igreja de Santo Antônio do Rio Madeira junto com sua belíssima cachoeira, marco inicial de Porto Velho.
metálicoAs Três Caixas D'Água: vindas em módulos s dos Estados Unidos, foram montadas onde hoje se dá o cruzamento das ruas Carlos Gomes e Rogério Weber, na atual praça do mesmo nome, que atinge pelo lado oeste a rua Euclides da Cunha. A primeira foi erguida em 1910 e as outras duas em 1912.
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: apesar de ter sido um centro ferroviário, a cidade não conta mais com o passeio de trem que foi desativado após a falta de conservação da linha, que acabou ruindo por conta de um temporal.
Balneários e igarapés: a 25 quilômetros de Porto Velho, a Cachoeira do Teotônio se constitui no balneário mais famoso, pelo campeonato anual de pesca. Destacam-se ainda Areia Branca, a 6 quilômetros do Centro, Candeias, cidade satélite de Porto Velho, o balneário de Rio Preto, a 27 quilômetros do centro; e no quilômetro 78, o balneário Rio Bonito. Igarapés: Os mais conhecidos são de Periquitos e o da Areia Branca.
Esportes
Lazer
Espaço Alternativo, pista para caminhada.
Porto Velho é famosa por seus "banhos" (igarapés que cercam toda a cidade, e formam verdadeiras praias de água doce), e é uma das principais fontes de lazer da família portovelhense. Alguns desses "banhos" possuem grande infraestrutura para receber as centenas de banhistas que recebem todos os finais de semana, como restaurantes, pousadas, quadras e campos de futebol. No final da tarde uma pista da Avenida Jorge Teixeira entre o Aeroporto e o Detran é fechada para que as pessoas possam caminhar. A outra pista ganha dois fluxos de direção.
O município de Porto Velho conta com três reservas indígenas: com 89.098 hectares, a 95 quilômetros da capital, está localizada a Reserva Karitiana, habitada por cerca de 100 índios dedicados a agricultura de subsistência (arroz, milho, farinha, etc.). Lá já foram construídas casas em alvenaria, depósitos, uma enfermaria e já tem pista de pouso. A Reserva Kaxaraxi, com mais de 85 mil hectares fica na divisa com o estado do Amazonas, com mais de 100 índios que vivem do extrativismo da castanha e da banana. A terceira reserva indígena é a dos Karipunas, com 2.200 hectares, situada no Distrito de Jaci-Paraná.
Problemas atuais
Porto Velho, assim como outras cidades do Brasil, enfrenta alguns problemas, dentre eles:
O relevo do município é pouco acidentado(com poucas variações), não apresentando grandes elevações ou depressões, com variações de altitudes que vão de 70 metros a pouco mais de 500 metros. A região pertencente à grande Planície Amazônica, situa-se no vale do rio Madeira e apresenta área de terras baixas e sedimentares.
Clima
Clima predominante é o tropical super-úmido, caracterizado por ser quente e provido de muita umidade. Situa-se em transição com o clima semi úmido da região centro-oeste e o clima equatorial predominante na região norte do Brasil. Como o próprio nome remete, é caracterizado por grande umidade e por altas temperaturas.
A exemplo da região amazônica, Porto Velho é formado por planícies, com serras relativamente baixas. A temperatura média é elevada, acima dos 28 graus, com elevada umidade relativa do ar e chuvas abundantes.
Hidrografia
Porto Velho está localizada na Bacia do rio Amazonas, o principal rio que banha o município vem do sul, da Bolívia, o rio Madeira.
Os principais rios são
Pôr-do-sol no rio Madeira.
Rio Madeira (principal braço direito do rio Amazonas): banha Porto Velho, possui grande quantidade de ouro em seu leito e até pouco tempo, na época da vazante, abrigava 30 mil garimpeiros. Seu curso é dividido em três níveis: Alto Madeira; trecho das Cachoeiras e Corredeiras, e o Baixo Madeira. São destacados dois lagos pela sua importância biológica: Lago do Cuniã, com 104 mil hectares, na reserva biológica de Cuniã, e Lago Belmont, no rio Madeira. O rio tem pesca abundante, dentre os peixes mais encontrados está o piraíba, jaú, dourado, caparari, surubim, pirara, piramutaba, tambaqui, tucunaré, jatuarana, pacu, pirapitinga, curimatá, a piranha preta e inclusive o terrível candiru.
Rio Abunã (afluente da margem direita do rio Madeira): faz a delimitação da fronteira entre Brasil e Bolívia, banha o distrito de Fortaleza do Abunã e nasce no Acre.
Início do século XX, um compromisso assinado e eis que o Brasil traz para si a responsabilidade de construir a madeira-Mamoré, estrada de ferro em plena selva amazônica, que coloca “os Andes aos pés do Atlântico” para facilitar o escoamento da borracha produzida na fronteira com a Bolívia.
Uma página da história escrita com entusiasmo, na qual o Ciclo da Borracha torneia cidades modernas e luxuosas, como Manaus e Belém, no coração da floresta, e a Belle Époque, diretamente importada de Paris, inspira a urbanização da capital federal para atrair a atenção mundial para o Brasil pós-República.
Nos confins da Amazônia, numa terra de ninguém, operários de mais de 50 etnias, contratados no mundo todo, se dão as mãos para construir a obra que os levaria à discórdia, ao desespero e, por fim, à morte ou invalidez: a ferrovia do Diabo.
No Rio de Janeiro, a cidadela do governo Hermes da Fonseca, políticos cheios de astúcia, como Ruy Barbosa, ou de lisura, como o ministro da Viação e Obras J.J. Seabra, se digladiam sob a crescente influência do capital estrangeiro no país, e em especial do temível Império Farquhar, cujo objetivo é dominar o sistema ferroviário latino-americano.
Estes são os ingredientes de Uma Saga Amazônica através da minissérie Mad Maria, livro inspirado na obra de Benedito Ruy Barbosa, com direção geral de Ricardo Waddington, exibida pela Rede Globo.
Uma epopéia que, ao unir imagens da vida real e da ficção, retrata a queda-de-braço entre o homem e a natureza no chamado inferno verde, o desapego pela vida e a sede de poder, os amores proibidos e a corrupção nas altas esferas políticas. Embarque nesta viagem.
fonte: Marleine Cohen
Uma babel de operários,
Mad Maria começa em 1911, nessa época a construção da ferrovia Madeira-Mamoré estava praticamente em seu estágio final
Quando Mad Maria começa estamos em 1911. Nessa época a construção da ferrovia Madeira-Mamoré estava praticamente em seu estágio final, faltando apenas cerca de 20 milhas para atingir o que seria fim da linha, em Guajará-Mirim. A custa de muito esforço (e vidas), milhares de homens, de nacionalidades as mais diversas, haviam levado os trilhos selva adentro desde Porto Velho até a passagem do Abunã, nas proximidades da fronteira boliviana. Mas neste momento, o sonho de viver num paraíso tropical, num eldorado de riquezas ilimitadas, já tinha ficado para trás havia muito tempo.
Alemães, hindus, húngaros, belgas, árabes, barbadianos, chineses, espanhóis, ingleses, americanos, bolivianos e brasileiros, cada um com suas culturas e suscetibilidades particulares, trabalhavam, sim, sob condições as mais precárias possíveis e a troco de um salário de fome, muito abaixo, por exemplo, do que se pagava para os seringueiros em regiões próximas. Vieram atraídos pela perspectiva de lucros e pela promessa de que, após a conclusão do projeto, estariam livres para se estabelecerem como agricultores ou exploradores da paradisíaca floresta tropical brasileira. Era o que diziam os anúncios de recrutamento espalhados pelo mundo todo pelos homens de Farquhar, mas o que encontraram foi apenas doença, sacrifício, desolação e morte. Estavam revoltados.
Fartos do que mais parecia uma carnificina, os operários se entregavam aos próprios instintos, como animais selvagens. Nos acampamentos, como se não bastassem inúmeras pragas, havia toda sorte de ódios e desavenças. Demonstrações de racismo, brigas e desordem eram controlados a cano de espingarda por seguranças pagos pela companhia.
Na minissérie, Mister Collier, o engenheiro-chefe é a figura que mais representa a repressão no local. No seu obsessivo desejo de terminar as obras faz com os operários sejam submetidos a métodos draconianos, quase sempre injustos. Por conta dessa repressão, que afinal é o que garante a continuidade do trabalho, ele terá de enfrentar toda sorte de conflitos e motins.