A realização de um sonho
Programa 600 - Expedição Rio Negro
"A realização de um sonho: a viagem perfeita de pesca esportiva. Esta é a aventura do programa Terra da Gente deste sábado (27), que completa 600 edições no ar e 13 anos de aventuras no Brasil e pelo mundo. A história tem tudo o que a gente sonha e espera de uma aventura amazônica. O objetivo dos pescadores está a seiscentos e vinte quilômetros da capital Manaus, no Amazonas. Pela primeira vez os repórteres do Terra da Gente exploram o rio Negro e seus afluentes na região de Santa Isabel (AM), que fica entre Barcelos - já foi capital do Amazonas -, e São Gabriel da Cachoeira, cidade próxima à divisa com a Colômbia. Numa aventura de pesca esportiva o peixe é fundamental. Mas a viagem vira uma grande expedição mesmo quando os desafios se multiplicam pelo caminho.
E foi isto que aconteceu com a equipe e um grupo de pescadores, na Amazônia. Para chegar em Santa Isabel, à margem do rio Negro, os aventureiros tiveram que viajar até em gaiola de caminhão-boiadeiro. A mordomia no barco-hotel acaba quando os pescadores partem em busca dos peixes no rio Negro e os afluentes. O objetivo são as espécies amazônicas. Não demora e chegam as surpresas: foram ataques de todos os lados dos cardumes de tucunarés.
A variedade de espécies foi grande, apareceu também um peixe diferente, o aruanã. Faça chuva ou sol, sobram motivos para se pescar no rio Negro e suas grandes lagoas. Árvores caídas nos canais trancam o caminho dos pescadores e a dificuldade traz uma sensação de expedição para a pescaria. Superados os obstáculos, os aventureiros ganham o dia debaixo de muita chuva e muitas fisgadas. Só tem peixe grandão, tudo beirando os cinco quilos. Um novo dia e os tucunarés dão um descanso, mas a pescaria continua desafiadora. É o começo da aventura com os peixes de couro. E tem uma história de pescador que é pura verdade. Há anos pai e filho disputam quem leva a melhor na pescaria, a juventude sempre sai ganhando. No rio Negro, o pai inverteu a história: fisgou o maior peixe da vida dele, uma pirarara de 35 kg. Tudo documentado pelos repórteres Eduardo Sozo (texto) e Erlim Schmidt (imagens)".
Maratona na pesca esportiva
O grande troféu amazônico merece ser reverenciado. É voraz. Ágil e robusto faz da pescaria um exercício de muitos rounds. Quem já pescou, sabe. É insaciável o desejo de superar o próprio recorde.
Ainda mais se a pescaria for numa região do Brasil propícia para encontrar os maiores tucunarés. Chegar até este lugar isolado no meio do rio negro requer disposição de aventureiro.
Ainda é madrugada quando embarcamos em Manaus. O avião decola para uma viagem de uma hora e meia. Nossa equipe vai junto com um grupo de Presidente Prudente, que se reúne todo ano para pescar.
Tirar um cochilo neste vôo significa perder paisagens de um Brasil selvagem. Ao sobrevoar a maior floresta do mundo, o olhar se perde na imensidão verde. Entrecortada por um emaranhado de rios.
Tingida pelas praias que se exibem na época da vazante. Quem vê tudo isso de cima, não resiste ao desejo de conhecer de baixo.
Santa Isabel do Rio Negro fica a 620 quilômetros de Manaus. Entre Barcelos, que já foi capital do Amazonas, e São Gabriel da Cachoeira, cidade próxima à divisa com a Colômbia.
É a primeira vez que o Terra da Gente desembarca aqui. Uma visita que jamais será esquecida.
Não pelo minúsculo terminal de passageiros. Mas pela condução que pegamos no aeroporto.
Aí vai uma boiada de pescadores. Dividindo espaço no caminhão com as bagagens. Pensa que alguém reclama? Que nada! É diversão, aquecimento pra aventura.
O deslocamento é rápido, mas se fosse demorado, ninguém iria se queixar.
A benção Rio Negro
Experiência para enriquecer o currículo desses viajantes. Este pacato município de 17 mil habitantes é uma das últimas fronteiras da amazônia. Tem como cartão postal uma pracinha bem cuidada. E praias de areias brancas, belas e convidativas.
No alto da igreja, uma imagem intrigante. Você já tinha visto uma cruz torta e inclinada para a frente. Ela desperta a curiosidade dos visitantes.
Para descobrir porque o símbolo católico é assim, fomos buscar explicação com o pároco da cidade. Padre Norberto, um austríaco que vive no alto Rio Negro há 40 anos. "Isso foi feito de propósito, como Cristo que acolhe a gente, abraça a todos que chegam perto, sempre esperando o povo para acolher".
Num lugar como este, no meio da Amazônia, não é à toa que a cruz esteja voltada para o rio. Ele é uma bênção para os ribeirinhos, fonte inesgotável de alimento e renda. Seja ela representada pelo turismo ou pela pesca.
Quem é de fora e vem pra cá com uma dessas finalidades também tem fé nessas águas. Só que uma fé diferente. É quem deseja trazer de lá grandes recordações.
Grande também é a ansiedade pelo começo da viagem. A bordo, todos são recebidos por uma tripulação hospitaleira.
A peculiaridade da embarcação é ser a única que opera em Santa Isabel do Rio Negro. Município onde o turismo ainda engatinha comparado com Barcelos, a capital da pesca esportiva no amazonas.
Gigante, de cauda metálica, o barco-hotel parte para uma expedição de uma semana. Sob o olhar curioso dos ribeirinhos. O segundo maior rio do mundo em volume de água faz o tempo parecer uma eternidade.
E a distância, maior que a real. O horizonte não é muito animador. Tem sinal de tormenta. E em poucos minutos, estamos no meio dela. O tempo fecha de tal forma que torna a navegação perigosa. O barco precisa parar na margem. Quando retoma a viagem, o entardecer já está próximo.
Aberta a pescaria
O sol não se exibe, mas pinta o céu de diferentes tons. O dia mal amanhece e os pescadores já estão de tralha na mão. Ninguém quer perder tempo. A dupla escolhe a pesca preferida e parte em rumos diferentes.
São dez voadeiras cheias de esperança. A nossa é conseguir os maiores exemplares de tucunaré-açu. O sol aparece para dar mais brilho à pescaria. Exuberância. Beleza. E contraste. Acentuado nesta época. Água escura e areia clara se completam neste mundo selvagem.
Os últimos anos foram marcados por cheias acima da média na Amazônia. Algumas fora de época. E também houve a ocorrência do fenômeno do repiquete bem mais frequente do que o normal. Isso dificultou a pesca esportiva aqui na Amazônia.
Desta vez, encontramos uma situação propícia. Ela mudou, e mudou pra melhor. Há cinco temporadas que a seca não deixava o rio negro tão baixo. O que permite que a gente caminhe bem em lugares que costumam ficar alagados.
A estiagem permite testemunhar cenas que não seriam possíveis em outras épocas do ano. Este buraquinho na areia é palco de uma luta pela perpetuação da espécie.
Na praia deserta, uma abelha dá espetáculo. Silenciosa. Persistente. O ninho é escavado com rapidez. A pausa é breve. Não demora e a abelha volta. Quando o buraco está fundo o suficiente, os ovos são depositados. Depois, começa o trabalho inverso.
É um serviço perfeito. A abelha não deixa nenhum vestígio na areia. Inspiração da natureza para um dia que promete ser longo e cansativo. Deixamos o rio negro para entrar num dos principais afluentes.
O Padauari. Lugar de vida selvagem. Onde o isolamento da floresta produz cenas marcantes. E torna a rotina das comunidades um desafio diário. Nosso guia, José Bonifácio Carneiro, conhece bem essa realidade. E também cada curva do rio.
"Você vai em qualquer canto e não se perde, não me perco não, isso aí eu lhe garanto que não perigo de se perder, não. Mesmo à noite, com chuva. Pode ser qualquer não tem problema de se perder, não".
O único risco aqui é cansar com a vara na mão. As iscas atraem diferentes espécies. Os tucunarés também dão show. Até mesmo quando conseguem escapar.
Atrás do Açu.
Lagos e estruturas perfeitas para a pescaria. Desde que o peixe esteja disposto a comer. Arremessos e mais arremessos. Os pescadores decidem trocar a isca de superfície, por uma de meia-água.
E nada. Partimos para um afluente do Padauari. Onde poucos pescadores costumam chegar. No rio Preto de natureza intocada. O bando de garças faz o cenário ficar ainda mais bonito.
O que destoa é uma paisagem rara de ver por aqui. Um pedaço de mata queimada. Estamos a muitas horas de barco de Santa Isabel.
Sem um bom guia, ficaria complicado pescar nessa região, porque há um emaranhado de lagoas e afluentes, e aí que entra a experiência do piloteiro pra te levar pro lugar certo.
Aqui, nós encontramos uma situação ideal pra pescaria do tucunaré-açu. Apesar da seca, o nível da água não baixou tanto. Agora só falta a gente encontrar o peixão.
Quando os peixes atacam, é pra valer. De tão ariscos, são capazes de enganar o pescador. Depois de mais um ataque à isca. A surpresa. De longe já é possível ver se o peixe está bem fisgado.
Esse tucunaré, também conhecido como travessa, é motivo de polêmica. Muitos pescadores o consideram uma espécie diferente. Mas há quem diga que paca é a fase jovem do tucunaré-açu.
Unanimidade é o prazer que ele proporciona. Achamos um cardume de tucunarés-borboletas. Não há porque lamentar. Logo pegamos outros. Os peixes do rio Preto nos impressionam. A beleza não nos satisfaz totalmente. Falta o grande tucunaré-açu.
Tempo cinzento não é pretexto pra deixar de pescar. Pelo menos aqui no Rio Negro. A voadeira rasga as águas em busca de emoção. Partimos na companhia de Eduardo Morgado, um veterano em pesca esportiva.
Agora a gente vai entrar nesse igarapé pra chegar no melhor ponto de pesca pro tucunaré, e a impressão que dá é que a gente não vai conseguir passar. Bigode é um dos nossos guias de pesca. Experiente em empreitadas como esta. O outro é Maruca. Vencidos os primeiros obstáculos, nos deparamos com uma cena curiosa e ao mesmo tempo assustadora.
Alguns obstáculos são vencidos com o próprio barco. Outros parecem intransponíveis. Os pirangueiros tem que suar nessas horas. E apelar pro braço. Aberta a passagem, eles ainda têm trabalho para livrar o barco da galhada. Valeu o esforço pra chegar aqui. Encontramos uma bela lagoa, ideal pra pescaria que vamos fazer.
Banho de alegria!
Desembarcamos para os primeiros arremessos. Nenhuma fisgada. Mas numa rápida caminhada pela praia. É possível perceber que aqui tem muito peixe. E nós vamos atrás deles. Agora embarcados.
Tem tucunaré na linha. Não faltam ação, nem as tradicionais surpresas. Já dá pra perceber que além de fartura de peixes, o rio negro também tem uma grande variedade de espécies.
São centenas de arremessos na tentativa de fisgar o grande tucunaré-açu, maior símbolo da pesca esportiva na Amazônia. Mudar de ponto nessas horas é o melhor a fazer. As iscas trabalham sem parar. Riscam a água do rio negro atrás tão esperado ataque. Persistência que nos faz investir em diversos pontos.
E a ter uma idéia da diversidade de tucunarés existentes nessa região. Nomes curiosos, como o popoca, e detalhes que impressionam. Mas e o tucunaré-açu? Por onde anda?
Nem precisa. Ele vem por conta própria. E sai um, entra outro em seguida. Coincidência ou não, quando começa a chover...aumenta a emoção. Encontramos um cardume. E dos bons. É quando a pescaria fica agitada. Ganhamos o dia na chuva. Foi um banho de alegria daqueles pra jamais esquecer.
O rio negro parece uma estrada asfaltada. Plana, sem movimento, perfeita para uma viagem tranquila. Nem por isso, o barco pode ir a plena velocidade. Dentro desta cabine é preciso cautela. Virtude essencial em época de vazante no rio. Genival tem trinta anos de experiência no leme. E mesmo assim, o medo de encalhar o barco é grande.
Com o nível da água baixo é difícil achar o canal. E nem todos passam sem problemas. A balsa com areia ficou encalhada. Uma situação que para Genival não é novidade. Ele também já enfrentou apuros. A cada parada, um novo ponto de pesca. E não só de tucunaré.
Com tralha mais pesada, vamos atrás dos peixes de couro. E o fim da tarde se mostra um horário perfeito. Nem é preciso fisgá-lo. Pela puxada, até parece um filhote. É briga pra mais de dez minutos. Não é filhote, é pirarara e tem cerca de 18 quilos. Missão cumprida, é hora de devolver o peixão para o rio.
Pai, filho e uma pescaria.
O sol vai embora. Mas a nossa pescaria não acaba. Partimos para novas tentativas. A companhia de uma dupla entrosada. pai e filho, dois apaixonados por pesca esportiva. Marco Antonio Teixeira é pescador desde os 13 anos e não é de hoje que pesca com o filho. Ele conta que a experiência sempre deu mais vantagem a ele, que tem sorte de fisgar os mariores. Poucos minutos depois da entrevista.
Chegou o dia do pai virar o jogo. O guia solta o barco para fugir do enrosco. A briga é das boas. De cansar o pescador. A vara quase escapa. O filho está por perto para dar uma força. Esse peixe não pode escapar de jeito nenhum.
A primeira impressão não se confirma. Ela dá trabalho. Não se entrega nem depois de cansada. Arlindo, o guia de pesca, é quem embarca o peixe. Melhor chamar de peixão, dá bem uns 35 quilos. Márcio, o filho, é pura alegria.
A pirarara dá trabalho até na hora de devolvê-la ao rio. Para relaxar após um dia bem sucedido, luau na beira do rio. Passados seis dias, pai e filho ainda tem pique para mais uma saída. O destino é um dos principais afluentes do rio negro, o Urubaxi.
Manhã de céu nublado. Últimas horas de pescaria. O tempo passa sem nenhuma fisgada. Parece até que eles só vão molhar a isca. Só parece. O que será que vai sair daí? De repente...a surpresa.
Agora é o pai com peixe na linha. Um dublê de peixe de couro! Algo raro de ser ver: dois filhotes fisgados com intervalo de menos de um minuto. Tirados da água juntos. E, aparementemente, do mesmo tamanho.
Ninguém vai poder dizer que dublê de filhote é história de pescador. Está tudo registrado. Não há como negar. Esta dupla, além de unida, é pé-quente.
Exibir mapa ampliado
Como chegar:
Uma das opções de logística e estrutura de pesca esportiva em Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, é a agência Pescapescador.
Agência Pescapescador
Tel. (19) 3443-3022
www.pescapescador.com
Programa Terra da Gente:
Rua Regina Nogueira, 120
Jardim São Gabriel - Campinas, SP
cep 13.045 - 900
Telefones:
(19) 3776.6488
3776.6460
3776.6593
*O programa Terra da Gente é exibido pelas seguintes emissoras: EPTV (Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Varginha-MG); TV TEM (São José do Rio Preto, SP; Sorocaba, SP; Bauru, SP e Itapetininga, SP); TV Fronteira (Presidente Prudente); TV Diário (Mogi das Cruzes, SP); TV Centro América (Cuiabá, MT); TV Centro América Sul (Rondonópolis, MT); TV Centro América Norte (Sinop, MT); TV Terra (Tangará da Serra, MT); TV Morena (Campo Grande, MS); TV Sul América (Ponta Porã, MS); TV Cidade Branca (Corumbá, MS); TV Grande Rio (Petrolina, PE); TV Asa Branca (Caruaru, PE) e TV Tapajós (Santarém, PA). Sobre dias e horários, consultar a programação da emissora local.
O Terra da Gente é exibido também para todo o Brasil, aos domingos, às 7:00h, via antena parabólica (o canal Superstation da Globo) e para 116 países dos 5 continentes pelo Canal Internacional da Globo.
Fonte: Amazônia Adventure